São Paulo: 1 a cada 4 homens que tem relação íntima com outros homens tem HIV, diz estudo

Uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde, feita em 12 cidades brasileiras, revelou que um em cada quatro homens que fazem sexo com homens no município de São Paulo tem HIV.

 

O estudo, que foi publicado no periódico Medicine, entrevistou 4.176 homens que representavam todos os estratos sociais. As informações são da Folha de S. Paulo.

 

Um estudo feito em 2011 mostrou que a prevalência de HIV dentro do grupo mencionado era de 15%. No entanto, porque a nova abordagem envolveu uma metodologia diferente, não foi possível comparar os resultados.

Dos 4.176 homens entrevistados, 3.958 aceitaram fazer o teste de HIV. Destes, 18,4% foram diagnosticados como soropositivos. No grupo de entrevistados, 83,1% se declaram gays, enquanto 12,9% heterossexuais ou bissexuais e 4% outros. Do total, 75% afirmaram ter relações sexuais apenas com homens.

 

Para o estudo os pesquisadores consideraram uma metodologia norte-americana que visa recrutar “pessoas-chaves” para serem entrevistas e testadas para HIV em duas ocasiões. Então, essas devem indicar pessoas de mesmo perfil, e assim por diante. Metade dos participantes estavam fazendo o teste pela primeira vez na vida.

 

De acordo com a pesquisadora Lígia Kerr, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) que coordenou os estudos, são vários os fatores que explicam a prevalência de HIV entre homens que transam com homens.

Uma das hipóteses mais aceitas é a falta de campanhas preventivas, devido ao corte de verbas e fechamento de ONGs voltadas para o público LGBT. Além disso, ela aponta a redução do uso de camisinha e mudanças de comportamento que permitiu as pessoas a buscarem potenciais parceiros por meio de aplicativos para “relacionamentos íntimos rápidos e casuais”.

 

“Foi uma pressão muito grande da bancada conservadora que a gente chama de bala, boi e bíblia”, disse ela à Folha, acrescentando que cartilhas que falavam sobre a sexualidade e que já estavam impressas foram proibidas de serem veiculadas. “É como se a AIDS tivesse desaparecido” ou tivesse sido “banalizada de todo o mundo”.

 

A pesquisadora pontuou ainda que por causa disso os jovens de hoje estão iniciando a vida sexual sem saber ou lembrar nada sobre a AIDS, o que reflete no aumento de casos de HIV no Brasil.

 

De acordo com o professor Mario Scheffer, do departamento de saúde preventiva da USP e que não esteve envolvido no estudo, há a necessidade “alfabetização” da nova geração sobre a prevenção da AIDS. Em entrevista à Folha, ele disse que “a história de falar ‘use camisinha e faça o teste’ não funciona mais”. O ideal agora é individualizar as normas, pensar em estratégias customizadas de prevenção, uma vez que “nem todos os jovens gays são iguais”.

[ Folha ] [ Foto: Reprodução / SuperPride ]

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