Empresa francesa planeja criar clones digitais para testar medicamentos personalizados

Uma empresa francesa de software, chamada Dassault Systèmes, está trabalhando para criar gêmeos digitais, com o objetivo de replicar órgãos digitalmente, para a realização de diagnósticos médicos e tratamentos menos invasivos. A digitalização de órgãos de um paciente poderia testar tratamentos hipotéticos sem afetar o paciente, afirma a empresa.

 

Porém, alguns têm argumentado que um sistema como este não poderia ser capaz de captar a complexidade de certos órgãos, impossibilitando a detecção perfeita de condições presentes em um indivíduo. A empresa está nesse projeto da criação de gêmeos digitais 3D há 35 anos, mas as ideias das aplicações em seres humanos começaram apenas em 2013.

A empresa cria réplicas digitais de pontes, edifícios, automóveis e outros objetos para ver como eles se comportam sob condições extremas. Por exemplo, o clone digital de um carro pode ajudar a determinar o que vai acontecer com ele durante uma colisão frontal, o de um edifício pode revelar os efeitos de um terremoto sobre ele. Agora, Dassault pretende aplicar essas mesmas técnicas para a área médica.

Ao digitalizar um órgão individual e criar um modelo a partir dele, os médicos podem avaliar, manipular e até mesmo sondar o “clone”, para formular tratamentos viáveis ​​para o paciente. Se os dados forem armazenados em uma plataforma universal, por exemplo, cada pessoa poderia ter um mapa digital de sua constituição interna. Isso criaria um sistema de diagnóstico altamente personalizado. “Ao longo do tempo, o registro poderia ser um gêmeo digital de cada um”, relatou Steve Levine, diretor de estratégia da divisão SIMULIA, da Dassault.

 

A filha de Levine nasceu com câmaras invertidas em seu coração, ou seja, a esquerda é onde a direita deveria estar e vice-versa. Como os tratamentos revelaram-se difíceis ao longo dos anos, devido aos poucos dados disponíveis, Levine decidiu criar dados usando métodos digitais de SIMULIA. O coração clonado digitalmente levou dois anos para ser construído, combinando 208.561 tetraedros digitais, cada um contendo propriedades elétricas e musculares específicas. Estas propriedades podem ser manipuladas para que coincidam com as condições encontradas em um paciente. O sistema é complexo, mas as experiências têm mostrado que ele age como um coração real.

 

Com o desenvolvimento do projeto, os pesquisadores terão de construir mais órgãos e trabalhar com desenvolvedores de estruturas, empresas de software e organizações governamentais para obterem os dados necessários. “Qualquer modelo 3D é tão bom quanto os dados”, confirmou Alexandra Golby, diretora de neurocirurgia guiada por imagem no Brigham and Women’s Hospital. A empresa não é a única a ter considerado essa ideia, e as tentativas anteriores não conseguiram alcançar a complexidade dos órgãos. Para garantir que as simulações futuras sejam as mais seguras possíveis, a Dassault fez uma parceria, há 5 anos, com a Food and Drug Administration, reguladora dos EUA.

 

Se os médicos forem capazes de testar os procedimentos em um clone digital de um paciente, que replica exatamente suas condições, eles poderiam prever e prevenir complicações médicas antes mesmo delas ocorrerem.

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Print de Tela ]

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