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Papiro egípcio contém os registros mais antigos sobre a “estrela do demônio”

por Redação Gooru 802 views0

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Considerada por muitos como uma estrela de má sorte, Algol é a segunda estrela mais brilhante da constelação de Perseus.

 

Conhecida por muitos como a “estrela do demônio”, acredita-se que Algol foi a primeira estrela vista no céu noturno. É uma das estrelas binárias eclipsantes mais famosas e está diretamente associada a uma lenda que envolve Perseu, Medusa e Andrômeda. Na constelação, a estrela representa o olhar mortal da Medusa, que teve a cabeça decepada por Perseu a fim de salvar a vida de Andrômeda.

 

O fato é que, os cientistas que estudam um antigo papiro egípcio, com mais 3.200 anos, encontraram um registro que prova ser o mais antigo documento a respeito de Algol. Ao que tudo indica, os egípcios podiam ver a estrela sem o auxílio de um telescópico, notar a sua característica variável e utilizar seu ciclo em seus calendários religiosos.

 

Através de uma análise estatística no calendário egípcio da sorte e dos dias de azar gravados no papiro, pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, foram capazes de combinar a atividades de Hórus com os 2.867 dias do ciclo de Algol. Tal comprovação sugere que os egípcios estavam conscientes da existência de Algol e adaptaram seus calendários para coincidir com a estrela variável.

Foto: Reprodução / Lauri Jetsu
Foto: Reprodução / Lauri Jetsu

Algol é, na verdade, três estrelas em uma: Beta Persei Aa1, Aa2 e Ab. Como essas estrelas passam na frente uma da outra, o seu brilho parece flutuar quando visto da Terra. Para os pesquisadores, parece existir uma forte correlação entre esse padrão, tanto que o antigo calendário Cairo prova que os egípcios mantinham um olhar atento sobre Algol e perceberam isso.

 

O calendário escrito no papiro mostra todos os dias do ano, marcando as datas de festas religiosas, fatos mitológicos, dias de sorte ou azar e previsões para o povo do Egito. O mais curioso é que as fases mais brilhantes de Algol e da Lua correspondem aos dias positivos do antigo calendário.

 

A data oficial da descoberta da estrela é de 1669, mas a nova pesquisa sugere que ela foi notada bem antes disso, entre 1163 a.C. e 1244, época associada ao papiro estudado.

 

“Até agora houve apenas suposições a respeito dos textos mitológicos do Calendário Cairo que descrevem fenômenos astronômicos. Agora podemos verificar com certeza que muitas das ações de divindades no calendário egípcio estão relacionadas às mudanças regulares da estrela de Algol e da Lua” explicou Sebastian Porceddu, um dos pesquisadores.

 

Porceddu caracteriza a pesquisa como algo que vai muito além dos estudos anteriores sobre o Calendário Cairo, ligando a aparência e o comportamento de deidades egípcias com as variações da estrela binária. A pesquisa em questão, foi publicada na PLOS One.

[ Science Alert / Super Interessante ] [ Foto: Reprodução / Lauri Jetsu ]