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Exame de DNA prova erro na história contada na Bíblia

por Redação Gooru 572 views0

Segundo uma nova pesquisa, mais de 90% da ascendência genética dos libaneses modernos é derivada dos antigos cananeus.

 

Os cientistas conseguiram sequenciar o genoma cananeu a partir dos restos de cinco indivíduos enterrados na ancestral cidade portuária de Sidon (Saïda, no Líbano moderno), cerca de 3.700 anos atrás. Os resultados foram comparados com o DNA de 99 residentes libaneses modernos. O estudo foi publicado na revista científica American Journal of Human Genetics.

 

História

De acordo com os resultados, a ascendência cananeia é uma mistura de populações indígenas que estabeleceram o Levante (uma região abrangendo grande parte da Síria moderna, do Líbano, da Jordânia, Israel e dos territórios palestinos) há cerca de 10 mil anos, com migrantes que chegaram do leste entre 6.600 e 3.550 anos atrás.

 

Um elemento eurasiático foi adicionado a essa combinação entre 1800 e 200 aC, um período tumultuado que viu o colapso da Idade do Bronze e o advento da Idade do Ferro, a época em que a maioria dos estudiosos acredita que a Bíblia foi escrita.

Os relatos bíblicos geralmente descrevem os cananeus como inimigos dos primeiros israelitas, que eventualmente conquistaram o seu território e exterminaram ou subjugaram seu povo. Os arqueólogos, no entanto, identificam os cananeus como uma coleção de tribos de diversas etnias que aparecem no Levante no começo do segundo milênio a C.

Ao longo dos séculos, eles habitaram, em várias ocasiões, cidades-estados independentes ou estados sob controle egípcio, e sua presença é registrada em cartas de governantes da Idade do Bronze no Egito, Anatólia, Babilônia e outros lugares da região.

 

Desaparecimento

Apesar da enorme insurreição cultural e política no Mediterrâneo oriental, no final da Idade do Bronze, no século XII, a presença cananeia persistiu na região, principalmente nas poderosas cidades portuárias ao longo da costa, onde eles eram conhecidos pelos gregos como fenícios.

 

Nenhuma evidência arqueológica para a destruição generalizada dos assentamentos cananeus descritos na Bíblia foi identificada, e muitos estudiosos acreditam que os israelitas, que aparecem ao redor do início da Idade do Ferro, podem ter sido originalmente cananeus.

 

Aprendendo mais

O novo estudo é notável por conta da dificuldade em sequenciar genoma tão antigo. A obtenção de DNA de restos humanos encontrados na região é difícil, já que o calor e a umidade são problemas para sua preservação. Muitas das amostras testadas vieram de esqueletos enterrados em jarros perto da costa do mar em Sidon, uma grande cidade-estado cananeia/fenícia que eventualmente foi conquistada por Alexandre, o Grande em 332.

 

Enquanto os pesquisadores ficaram surpresos com o nível de continuidade genética entre os cananeus antigos e os libaneses modernos, mesmo depois de cerca de 4.000 anos de guerra, migração e conquista na área, eles advertem que não devemos tirar muitas conclusões sobre a história antiga com base apenas em dados genéticos.

 

As pessoas podem ser culturalmente semelhantes e geneticamente diferentes, ou geneticamente similares e culturalmente diferentes”, disse Chris Tyler-Smith, um dos autores do estudo, do Wellcome Trust Sanger Institute. O arqueólogo Assaf Yasur-Landau, codiretor do Projeto Arqueológico de Tel Kabri, que está escrevendo um livro sobre os cananeus, concorda. “Os cananeus ainda são um grande mistério para nós, então todo estudo – seja em genética, cultura, economia, religião ou política – é algo que trará fatos tremendamente importantes sobre a composição do mundo bíblico do primeiro milênio”.

[ Natural Geographic via HypeScience ] [ Fotos: Reprodução / Natural Geographic ]